Quero começar já por dizer que Crown Trick tem uma das melhores mecânicas que vi serem implementadas no género RPG táctico, desconheço se são os pioneiros desta ideia, mas pelo menos é a primeira vez que experimento um jogo com a mecânica síncrona por turnos.
Por norma, num jogo como Final Fantasy Tactics, ou Fire Emblem, que são dois bons exemplos de um RPG tático onde o campo de batalha é definido por uma grelha no chão, as unidades em campo movem-se à vez, apenas a sua ordem varia de jogo para jogo, alguns definem a ordem com base na velocidade ou agilidade das unidades, outros atribuem turnos intercalados a cada equipa, mas em Crown Trick todos os personagens movem-se ao mesmo tempo, sempre que o jogador move a Elle (a personagem principal), ou efetua uma ação como atacar, utilizar uma habilidade ou um item, os inimigos movem-se também, isto não só torna o combate mais rápido e fluído, como nos obriga a planear as nossas ações de uma maneira diferente dos tradicionais RPG táticos.
Só que, Crown Trick não é um RPG Tático, não senhor, Crown Trick, segue a mais recente moda do Roguelike (acho que ultimamente, em dez jogos que reporto três ou quatro têm elementos Roguelike), mas eu compreendo que seja um estilo de jogo apetecível para os estúdios indie porque permite fazer muito com pouco, o problema neste tipo de jogos é que quase todas as mecânicas funcionam à base da sorte, ou no meu caso específico, à base do azar. Isto num jogo de ação ainda é possível contornar com habilidade, se o jogo tiver destreza suficiente a controlar a personagem e conseguir evitar os inimigos e os seus ataques, ainda é possível alcançar a vitória, mas num jogo tático onde tudo funciona à base de estatísticas, nem por isso, claro que uma boa estratégia pode fazer a diferença, mas se não tivermos equipamento minimamente decente, não há nada a fazer e nas mais de 25 horas de jogo, posso contar pelos dedos de uma só mão, o número de vezes que tive a sorte de encontrar equipamento que me fizesse sentir realmente poderoso e capaz de fazer frente aos vários inimigos e bosses.
A fase inicial foi particularmente aborrecida e irritante devido à pouca variedade de armas e relíquias (já explico ^_^) disponíveis, dez horas se passaram até eu conseguir finalmente ultrapassá-la e só então é que novas mecânicas e novos equipamentos começaram a surgir com maior frequência, se não tivesse que escrever esta análise, muito provavelmente tinha desistido do jogo ao fim de umas cinco horas, mas eu sou um profissional e aqui não se faz análises sem pelo menos terminar o conteúdo principal do jogo. Relembro novamente que este jogo sendo um Roguelike, a sorte é um fator muito importante e a minha experiência (desagradável) pode ser muito diferente da vossa, até podem ter a sorte de encontrar os melhores equipamentos logo à primeira e acharem que este é o melhor jogo de sempre.
Outro problema que afeta o jogo é a limitação de "builds" fiáveis que podemos fazer, deixem-me elaborar. Em Crown Trick podemos ter uma arma, que varia entre espadas, machados, lanças, etc, cada uma com o seu padrão de ataque e com o seu elemento, temos também relíquias (finalmente!) que são objetos que nos presenteiam com alguns atributos e habilidades como, imunidade a certos elementos, mais defesa, mais ataque e por aí adiante (não existe limite para o número de relíquias que podemos apanhar numa run), temos também itens consumíveis que podem ser utilizados para vários efeitos, (à parte dos elixires que são os únicos itens que restauram os pontos de vida e magia e apenas existem dois por piso) e por fim, temos os familiares, que são uma espécie de bosses intermediários que depois de derrotados juntam-se à nossa causa e nos permitem utilizar as suas habilidades especiais, ou seja, são as nossas magias.
Então qual é o problema? O problema é não termos a possibilidade de utilizarmos as magias dos familiares de uma forma regular, porque os nossos pontos de magia (MP) começam sempre com um máximo de 200 e cada uma destas magias consome entre 30 a 70 MP, para além de apenas ser possível equipar dois familiares ao mesmo tempo, com duas habilidades cada podemos ter só quatro habilidades no máximo, o que torna praticamente impossível termos uma build forte contra todos os elementos. Agora imaginem o seguinte cenário (que me aconteceu mesmo), temos uma arma do elemento fogo e temos relíquias que complementam esse atributo, de repente temos pela frente um boss desse mesmo elemento, e agora!? Agora se não tivermos a sorte de nos ter saído um familiar do elemento oposto (isso mesmo, nem podemos escolher de forma livre que familiares podemos equipar) estamos metidos numa bela alhada e mesmo que tenhamos esse familiar o que acontece quando ficarmos sem MP? Claro que existem formas de restaurar o MP, mas são muito limitadas e um combate contra os bosses são longos. Isto tudo resultou em que eu me focasse sempre em builds à base da força, ataques críticos e procurasse armas com elementos neutros.
Mudando de assunto, a história é apresentada de uma forma misteriosa onde pouco é explicado sobre as personagens, sobre o mundo e sobre o local onde nos encontramos, mas através do diálogo com os NPCs na sala principal, que são também uma espécie de vendedores de melhorias permanentes, digamos assim (esta é o única progressão real que há no jogo, de resto reinicia tudo quando morremos), estas habilidades procuram facilitar um pouco a nossa vida nas masmorras melhorando as probabilidades de encontrarmos mais e melhor equipamento, apesar de no meu caso não ter notado grande diferença, mas pronto, sendo eu um azarado com probabilidades, pode ser que resulte com pessoas normais. Bem, voltando à história, como disse, a história é divulgada através do diálogo com os poucos NPCs e através de pergaminhos que vamos encontrando nas masmorras, no fundo não é uma história inovadora, mas dá para entreter.
Um pequeno aparte que me estava a esquecer, o jogo tem tradução para Português do Brasil, tradução essa que eu recomendo evitarem, é péssima mesmo e até a própria tradução para o Inglês (o jogo foi concebido por um estúdio Chinês), faz um péssimo trabalho a explicar a funcionalidade dos atributos das relíquias e habilidades das armas e familiares.
Visualmente o jogo tem uma estética 2D com estilo de desenho animado sombrio, que me faz lembrar sempre do desenho animado que passava no Cartoon Network, o Courage the Cowardly Dog, adorava ver isso, logo adoro o estilo visual deste jogo. Também gosto muito da banda sonora que acompanha na perfeição o tema sombrio do jogo e os efeitos sonoros são igualmente bons (não existem trabalho de vozes no jogo). No geral Crown Trick tem uma apresentação de qualidade.
Crown Trick poderia ter sido uma fácil recomendação tanto para os fãs Roguelike como para os fãs dos RPG táticos, mas infelizmente a junção destes dois géneros origina certas incompatibilidades que tornaram a minha experiência um pouco desagradável no geral, mas esta foi a minha experiência num jogo onde não existem duas experiências iguais (pelo menos é essa ideia por detrás dos Roguelike). Penso também que poderiam ter feito um melhor trabalho com o sistema de familiares dando assim uma alternativa mais fiável às armas tradicionais, o que iria permitir diferentes maneiras de jogar. Ainda assim, Crown Trick é um jogo de estratégia sólido, que quando a sorte o permite, consegue ser bastante divertido, tem uma excelente apresentação e de certeza dará muitas horas de desafios para os sortudos ou para os persistentes que não se deixam abater por um pouco de azar.
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3/5 |
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